Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

Substituições e não só

Hoje li um artigo(*) que me fez reagir.
O que senti foi, sobretudo, que toda a gente tem opiniões a dar sobre assuntos que não domina. Estar de fora e dar palpites é muito simples. No entanto a realidade é bem diferente.
Há dois aspectos que me saltaram à vista:
1º - o grande mal dos professores é, neste momento, ter aulas de substituição.
Nada mais errado, na minha perspectiva.
O mal é sermos governados por quem nunca esteve numa escola, não imagina como funcionam e acha que os professores são pessoal de segunda categoria e que não fazem nada.
2º - este parágrafo:
"Mas qualquer professor que não seja um debilóide sabe estabelecer uma relação com turmas de alunos que não conhece e conversar descontraidamente sobre aspectos genéricos das disciplinas e as suas correlações (nada é estanque), sobre os modos de tirar notas na aula, sobre a procura de um livro ou de um artigo na biblioteca, sobre o uso produtivo da Internet e outras questões metodológicas."
Concordo que todos os professores deveriam ser capazes de estabelecer uma relação com um grupo de alunos, mesmo que não sejam os seus.
O que não está bem, então?
Entrar em salas onde os alunos se mantêm contrariados, onde não há livros, não há computadores (e muito menos internet...), onde não há jogos nem filmes para ver. Se algum professor quiser desenvolver alguma tarefa, tem de a levar e sugeitar-se à aceitação, ou não, por parte dos alunos.
Parece-me que seria muito mais produtivo e vantajoso para os alunos que estes fossem encaminhados para diversos espaços na escola, de cada vez que um professor falta. Falo em salas de estudo, bibliotecas, clubes e outros.
O que falha:
- as escolas não têm instalações deste tipo onde seja possível albergar uma turma inteira de cada vez (e é possível que haja mais do que uma turma sem aula ao mesmo tempo).
- os alunos não estão habituados a recorrer a estes espaços de livre vontade e em benefício próprio. Vão contrariados, fogem pelo caminho...

De uma forma geral, penso que é positivo os professores estarem mais tempo nas escolas e todos esperávamos que isso viesse a acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Não concordo é que tudo isto tenha sido feito de forma a transmitir à opinião pública a ideia de que os professores são uns incompetentes.
Tudo tem de ser planeado e implementado com as devidas precauções e criadas as condições para que sejam viáveis.
Criem-se condições nas escolas para que os alunos a sintam como deles, habituem-se os alunos a procurar os espaços e os recursos existentes, em vez de procurarem espaços exteriores à escola.
Criem-se condições nas escolas para os professores trabalharem a tempo inteiro, como gabinetes de trabalho, locais onde se possam preparar aulas e materiais, corrigir testes e trabalhos, com o sossego e os meios exigidos.
Seria muito bom não termos necessidade de levar trabalhos para casa todos os dias...
Gostava muito que, quem governa a Educação neste País, passasse pelas nossas escolas. Não como visitantes por um dia, mas durante o tempo suficiente para perceberem como funcionam. E não apenas por escolas modelo, escolhidas a dedo.


(*)"Aulas de substituição", Eduardo Prado Coelho
Público, 23/11/2005
O artigo pode ser lido aqui.

publicado por serprofessor às 13:39
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De Anónimo a 28 de Novembro de 2005 às 08:54
Pois eu tive a pouca sorte de ter este professor como assistente do pai. Esse, sim, era um grande professor com um péssimo assistente. Quando estava presente nas aulas práticas passava avida na paródia com as alunas que o permitiam, quando faltava, e era a maior parte das vezes, tínhamos mais sorte pois era substituído por uma aluna, Isabel Rocheta que trabalhava connosco melhor do que ele. Eduardo do Prado Coelho sempre foi um debiloide a viver à custa do nome do pai.mcristina
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(mailto:mcristina01@sapo.pt)
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