Sexta-feira, 25 de Novembro de 2005

Proibido estudar

Ao passar hoje por um dos blogs que leio regularmente, vi um artigo que resolvi trazer aqui.

Diz o Obsecado [sic]:

18-Nov-2005. Cartaz afixado à entrada do centro comercial Atrium Saldanha, em Lisboa. A causa do nosso mal é esta, e está escrita por extenso: "proibído [sic] estudar". Em Portugal é proibido estudar e nem é preciso vir um centro comercial dizer-no-lo. É essa proibição entranhada em nós que faz com que tenhamos a pior taxa de sucesso escolar da Europa, a pior taxa de alfabetização, a pior taxa de conclusão do ensino escolar obrigatório, a pior taxa de frequência universitária, os piores resultados em exames de seriação a nível global em matemáticas e ciências. Tudo isto porque é proibido estudar. Porque é proibido ter boas notas senão vem de lá a chacota dos colegas. Porque é proibido passar de ano porque os colegas chumbaram. Porque o normal, depois de acabar o ano escolar, é um colega perguntar ao outro "Então? Passaste?". Porque é proibido trabalhar no McDonald's para pagar as propinas da Universidade e coitadinhos, os paizinhos não podem pagá-las e a vida está cara (na Holanda, 90% dos universitários trabalham para se sustentar). Porque as escolas não têm condições a assim os alunos recusam-se a estudar e os professores a ensinar (somos miseráveis e não estamos para mudar isto, é o que devem pensar). Porque, porque, porque. Desculpas, desculpas, desculpas. No fim, claro que quem não estuda não sabe escrever "proibido". É um ciclo vicioso e dele não conseguimos sair.

Neste mesmo dia, mais ou menos pela hora a que tirei esta foto, passou diante deste cartaz uma manifestação de professores a caminho do ministério da Educação. "Exigimos respeito", e "Aposentação muito antes do caixão" eram as principais palavras de ordem da manifestação. E eu a pensar que eles já não faziam nenhum, aposentados ou não. Como me esclareceu o Miguel Sousa Tavares na sua crónica semanal no jornal Público, os professores têm um horário semanal de 35 horas, das quais passam em média 14 a dar aulas (quando não faltam) e 21 em casa ou na rua, a prepará-las. Pediu-lhes a ministra que, dessas 21 horas, ficassem oito na escola, para tapar os furos causados pelas faltas dos seus colegas. Que era "degradante" para a sua classe, responderam, terem de tapar furos, mas que o fariam se lhes pagassem horas extraordinárias (assim já não é degradante, conclui-se tristemente). Resta-me só concluir, para voltar ao tema, que estes professores de hoje são os que ontem também seguiram à risca o lema "proibido estudar". Como sair deste ciclo vicioso?



Penso que a primeira parte deste texto retrata muito bem a nossa realidade e a mentalidade da nossa sociedade.
A segunda parte leva-me a realçar a informação deturpada que é transmitida para o público. Segundo se lê, ...os professores têm um horário semanal de 35 horas, das quais passam em média 14 a dar aulas (quando não faltam) e 21 em casa ou na rua, a prepará-las...

O Estatuto da Carreira Docente diz o seguinte:

Artigo 77.° Componente lectiva
1 - A componente lectiva do pessoal docente da educação pré-escolar e do 1.° ciclo do ensino básico é de vinte e cinco horas semanais.
2 - A componente lectiva do pessoal docente dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico é de vinte e duas horas semanais.
3 - A componente lectiva do pessoal docente do ensino secundário, desde que prestada na totalidade neste nível de ensino, é de vinte horas semanais.
4 - A componente lectiva dos docentes da educação e ensino especial é de vinte horas semanais.
Artigo 79.° Redução da componente lectiva
1 - A componente lectiva a que estão obrigados os docentes dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e os do ensino secundário e do ensino especial é sucessivamente reduzida de duas horas, de cinco em cinco anos, até ao máximo de oito horas, logo que os professores atinjam 40 anos de idade e 10 anos de serviço docente, 45 anos de idade e 15 anos de serviço docente, 50 anos de idade e 20 anos de serviço docente e 55 anos de idade e 21 anos de serviço docente.
2 - Aos professores que atingirem 27 anos de serviço docente será atribuída a redução máxima da componente lectiva, independentemente da idade.


Depois de ler isto, parece-me que fica claro que um professor só passa em média 14 a dar aulas quando atinge 27 anos de serviço...

publicado por serprofessor às 20:48
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De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 21:34
Sofia, parece-me que a culpa maior é de uma sociedade que não valoriza a Educação.Ser Professor
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(mailto:ser.professor@gmail.com)
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