Terça-feira, 29 de Novembro de 2005

Crucifixos nas escolas?

As escolas não são paredes mas pessoas que trabalham lá, vivem lá quase todo o dia e muitas vezes não dormem lá porque não há condições (já muitos colegas experimentaram, certamente, Conselhos Pedagógicos de sete horas ou com sessões contínuas). Ora as paredes caem com o tempo. Nós também, claro. Mas os professores e funcionários, os alunos e os pais podem, se quiserem e se forem cristãos, continuar a respeitar as minorias mas exigir que as maiorias e as tradições históricas deste país (cada vez mais querem apagar-lhe os valores, a fé, a História) sejam respeitadas. Faço uma proposta: levemos os crucifixos ao peito ou na lapela e não tenhamos vergonha.

Numa escola secundária de Lisboa passarei a fazê-lo. Será que nos tiram a cruz do pescoço?

E o Cristo-rei em Almada sobre Lisboa, também ofenderá as minorias e a Constituição?

Os jovens, mostram como é sem vergonhas.


Texto e imagem enviados por Cristina Almeida


publicado por serprofessor às 18:24
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2005

Proibido estudar

Ao passar hoje por um dos blogs que leio regularmente, vi um artigo que resolvi trazer aqui.

Diz o Obsecado [sic]:

18-Nov-2005. Cartaz afixado à entrada do centro comercial Atrium Saldanha, em Lisboa. A causa do nosso mal é esta, e está escrita por extenso: "proibído [sic] estudar". Em Portugal é proibido estudar e nem é preciso vir um centro comercial dizer-no-lo. É essa proibição entranhada em nós que faz com que tenhamos a pior taxa de sucesso escolar da Europa, a pior taxa de alfabetização, a pior taxa de conclusão do ensino escolar obrigatório, a pior taxa de frequência universitária, os piores resultados em exames de seriação a nível global em matemáticas e ciências. Tudo isto porque é proibido estudar. Porque é proibido ter boas notas senão vem de lá a chacota dos colegas. Porque é proibido passar de ano porque os colegas chumbaram. Porque o normal, depois de acabar o ano escolar, é um colega perguntar ao outro "Então? Passaste?". Porque é proibido trabalhar no McDonald's para pagar as propinas da Universidade e coitadinhos, os paizinhos não podem pagá-las e a vida está cara (na Holanda, 90% dos universitários trabalham para se sustentar). Porque as escolas não têm condições a assim os alunos recusam-se a estudar e os professores a ensinar (somos miseráveis e não estamos para mudar isto, é o que devem pensar). Porque, porque, porque. Desculpas, desculpas, desculpas. No fim, claro que quem não estuda não sabe escrever "proibido". É um ciclo vicioso e dele não conseguimos sair.

Neste mesmo dia, mais ou menos pela hora a que tirei esta foto, passou diante deste cartaz uma manifestação de professores a caminho do ministério da Educação. "Exigimos respeito", e "Aposentação muito antes do caixão" eram as principais palavras de ordem da manifestação. E eu a pensar que eles já não faziam nenhum, aposentados ou não. Como me esclareceu o Miguel Sousa Tavares na sua crónica semanal no jornal Público, os professores têm um horário semanal de 35 horas, das quais passam em média 14 a dar aulas (quando não faltam) e 21 em casa ou na rua, a prepará-las. Pediu-lhes a ministra que, dessas 21 horas, ficassem oito na escola, para tapar os furos causados pelas faltas dos seus colegas. Que era "degradante" para a sua classe, responderam, terem de tapar furos, mas que o fariam se lhes pagassem horas extraordinárias (assim já não é degradante, conclui-se tristemente). Resta-me só concluir, para voltar ao tema, que estes professores de hoje são os que ontem também seguiram à risca o lema "proibido estudar". Como sair deste ciclo vicioso?



Penso que a primeira parte deste texto retrata muito bem a nossa realidade e a mentalidade da nossa sociedade.
A segunda parte leva-me a realçar a informação deturpada que é transmitida para o público. Segundo se lê, ...os professores têm um horário semanal de 35 horas, das quais passam em média 14 a dar aulas (quando não faltam) e 21 em casa ou na rua, a prepará-las...

O Estatuto da Carreira Docente diz o seguinte:

Artigo 77.° Componente lectiva
1 - A componente lectiva do pessoal docente da educação pré-escolar e do 1.° ciclo do ensino básico é de vinte e cinco horas semanais.
2 - A componente lectiva do pessoal docente dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico é de vinte e duas horas semanais.
3 - A componente lectiva do pessoal docente do ensino secundário, desde que prestada na totalidade neste nível de ensino, é de vinte horas semanais.
4 - A componente lectiva dos docentes da educação e ensino especial é de vinte horas semanais.
Artigo 79.° Redução da componente lectiva
1 - A componente lectiva a que estão obrigados os docentes dos 2.° e 3.° ciclos do ensino básico e os do ensino secundário e do ensino especial é sucessivamente reduzida de duas horas, de cinco em cinco anos, até ao máximo de oito horas, logo que os professores atinjam 40 anos de idade e 10 anos de serviço docente, 45 anos de idade e 15 anos de serviço docente, 50 anos de idade e 20 anos de serviço docente e 55 anos de idade e 21 anos de serviço docente.
2 - Aos professores que atingirem 27 anos de serviço docente será atribuída a redução máxima da componente lectiva, independentemente da idade.


Depois de ler isto, parece-me que fica claro que um professor só passa em média 14 a dar aulas quando atinge 27 anos de serviço...

publicado por serprofessor às 20:48
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Estatísticas

Encontrei, na página do GIASE, o seguinte título:
Número de Alunos por Professor no Ensino Básico Público - 8,9.
Abri o link e deparei-me com um quadro que contém os seguintes dados:

Continente
Relação Alunos/Professor
Educação Pré-Escolar 14,8
Ensino Básico - Total 8,9
1.º Ciclo 12,4
2.º Ciclo 7,0
3.º Ciclo 7,6
Ensino Secundário 8,1

Se eu não estivesse numa escola, certamente ficaria a pensar que os professores (afinal!) têm muito poucos alunos, já que não há qualquer explicação junto desta tabela.
Imagino que estes cálculos tenham sido feitos utilizando o número total de professores no ensino e o número total de alunos inscritos. É uma forma de dar à estatística o aspecto que mais interessa e não o mais correcto.
Qualquer pessoa que pense um pouco, sabe que nenhuma turma tem tão poucos alunos e sabe, também, que os professores não costumam ter só uma turma.
Como exemplo, eu tenho 145 alunos este ano lectivo. Parece-me estar um pouco longe destes resultados.

Qual será a vantagem de brincar com os números de uma forma tão errada?

publicado por serprofessor às 09:19
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

Substituições e não só

Hoje li um artigo(*) que me fez reagir.
O que senti foi, sobretudo, que toda a gente tem opiniões a dar sobre assuntos que não domina. Estar de fora e dar palpites é muito simples. No entanto a realidade é bem diferente.
Há dois aspectos que me saltaram à vista:
1º - o grande mal dos professores é, neste momento, ter aulas de substituição.
Nada mais errado, na minha perspectiva.
O mal é sermos governados por quem nunca esteve numa escola, não imagina como funcionam e acha que os professores são pessoal de segunda categoria e que não fazem nada.
2º - este parágrafo:
"Mas qualquer professor que não seja um debilóide sabe estabelecer uma relação com turmas de alunos que não conhece e conversar descontraidamente sobre aspectos genéricos das disciplinas e as suas correlações (nada é estanque), sobre os modos de tirar notas na aula, sobre a procura de um livro ou de um artigo na biblioteca, sobre o uso produtivo da Internet e outras questões metodológicas."
Concordo que todos os professores deveriam ser capazes de estabelecer uma relação com um grupo de alunos, mesmo que não sejam os seus.
O que não está bem, então?
Entrar em salas onde os alunos se mantêm contrariados, onde não há livros, não há computadores (e muito menos internet...), onde não há jogos nem filmes para ver. Se algum professor quiser desenvolver alguma tarefa, tem de a levar e sugeitar-se à aceitação, ou não, por parte dos alunos.
Parece-me que seria muito mais produtivo e vantajoso para os alunos que estes fossem encaminhados para diversos espaços na escola, de cada vez que um professor falta. Falo em salas de estudo, bibliotecas, clubes e outros.
O que falha:
- as escolas não têm instalações deste tipo onde seja possível albergar uma turma inteira de cada vez (e é possível que haja mais do que uma turma sem aula ao mesmo tempo).
- os alunos não estão habituados a recorrer a estes espaços de livre vontade e em benefício próprio. Vão contrariados, fogem pelo caminho...

De uma forma geral, penso que é positivo os professores estarem mais tempo nas escolas e todos esperávamos que isso viesse a acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Não concordo é que tudo isto tenha sido feito de forma a transmitir à opinião pública a ideia de que os professores são uns incompetentes.
Tudo tem de ser planeado e implementado com as devidas precauções e criadas as condições para que sejam viáveis.
Criem-se condições nas escolas para que os alunos a sintam como deles, habituem-se os alunos a procurar os espaços e os recursos existentes, em vez de procurarem espaços exteriores à escola.
Criem-se condições nas escolas para os professores trabalharem a tempo inteiro, como gabinetes de trabalho, locais onde se possam preparar aulas e materiais, corrigir testes e trabalhos, com o sossego e os meios exigidos.
Seria muito bom não termos necessidade de levar trabalhos para casa todos os dias...
Gostava muito que, quem governa a Educação neste País, passasse pelas nossas escolas. Não como visitantes por um dia, mas durante o tempo suficiente para perceberem como funcionam. E não apenas por escolas modelo, escolhidas a dedo.


(*)"Aulas de substituição", Eduardo Prado Coelho
Público, 23/11/2005
O artigo pode ser lido aqui.

publicado por serprofessor às 13:39
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2005

Ainda as faltas

Olha para o que digo, não olhes para o que faço.


"o secretário de Estado que divulga as faltas [dos professores], Valter Lemos, foi o mesmo que, enquanto vereador na Câmara de Penamacor, cessou funções por ter excedido o número de faltas injustificadas"


Artigo completo no Público


publicado por serprofessor às 13:28
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Sábado, 19 de Novembro de 2005

As faltas dos professores

As estatísticas conseguem ser engraçadas. Se pensarmos em dois professores, numa determinada semana em que um deles falte a tempo inteiro e outro nunca falte, resulta que cada um deles faltou, em média, a metade das aulas previstas.
Foram ontem divulgadas as faltas dos professores no ano lectivo passado, como se pode ver nesta tabela publicada no GIASE.
Segundo aquilo que ouvimos na comunicação social, e de acordo com estes dados, resulta que cada professor faltou, em média, a três tempos lectivos semanais. Será mesmo assim?
Nesta tabela estão incluídas situações que não resultam em faltas efectivas para os alunos, ou seja, situações que não levam a uma falta a tempo de aula. Por exemplo:
- licença de maternidade, em que as docentes são substituídas no período que se encontram ausentes;
- faltas por doença em períodos superiores a 30 dias, em que também existe substituição;
- faltas a reuniões (de Departamento e outras).
Muitas das faltas incluídas na tabela são, certamente, faltas de atraso. Os professores são a única classe, que eu saiba, a quem é marcada falta por terem apanhado demasiado trânsito e terem chegado dez minutos depois do toque... No corrente ano lectivo esta situação é agravada pelo facto de não lhe ser marcada falta a apenas um tempo lectivo, mas a dois, se se tratar de uma aula de 90 minutos... Curioso é reparar que há docentes que, mesmo tendo já falta, vão dar a aula para que os alunos não fiquem atrasados na matéria...
Este meu texto não pretende contrariar as estatísticas do ME.
Todos nós sabemos que há professores que faltam muito. Em cada escola são conhecidos esses casos, que comentamos e lamentamos, com frequência, nos Conselhos de Turma. Se há situações em que facilmente se entendem essas ausências (tanta gente que está isolada, a muitos quilómetros de casa!...), outras há que nos custa a aceitar.
Todos nós sabemos que há professores que nunca faltam.
E todos nós sabemos que há professores que faltam pontualmente e que são a maioria, tenho a certeza.

publicado por serprofessor às 07:55
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2005

Greve

Hoje é dia de greve.

Como irá ser?

Valerá a pena?

publicado por serprofessor às 06:55
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Um comentário

Olá !

Engraçado que, com todos os problemas, faz muita falta quando estamos distantes disso tudo (meu caso) e morro de saudades de tudo, até de reclamar! E olha que no Brasil, onde eu lecionava, tinha muito do que reclamar.
Ser professor é diferente de qualquer outra profissão, porque tem que ser missionário, fazer por amor ( quem tem), porque se for pensar no dinheiro, nas comodidades (ou na falta delas), a pessoa passa muito mal, fica até deprimida. E isso acontece no Brasil, em Portugal e aqui na Espanha (onde vivo agora). E deve ser igual em muitas outras partes do mundo também.
O que se vê é muito professor insatisfeito, mal remunerado, com condições muitas vezes precárias de trabalho.
E eu estou louca pra voltar a lecionar. Vai entender... deve ser amor mesmo.
Beijos e sucesso!


Fernanda Jimenez

publicado por serprofessor às 07:12
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

Feriado

Hoje é feriado, não se trabalha.

Como se não fosse necessário preparar as aulas de amanhã, corrigir testes...
publicado por serprofessor às 22:32
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