Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

Horas e mais horas

Parece-me ser um dos temas que mais se conversam entre professores, nos últimos tempos. "Na tua escola, como é? Como gerem as horas da componente não lectiva? Quantas horas marcam?" são as perguntas que não falham.
A disparidade é enorme, por aquilo que me apercebo. Conheço escolas onde se marcam 22 horas no total... e outras onde se marcam 30! A decisão compete a cada Conselho Executivo, daí tanta diferença.
E com que actividades se ocupam estas horas?
Para além das aulas de substituição (eu sei que não é este o nome... mas é o que elas são!) obrigatórias, temos ainda apoios específicos (nas horas supervenientes, aquelas que apareceram quando deixámos de ter aulas de 50 minutos e passámos a tê-las de 45), clubes, salas de estudo, apoio às bibliotecas escolares, planificações e outras actividades sugeridas pelos docentes.
Várias escolas aproveitaram para aumentar o número de horas dos directores de turma, que bem necessitavam delas.

Será que estas horas todas beneficiam os alunos, de alguma forma?
Nas vossas escolas, como funciona tudo isto?

Partilhem connosco a vossa experiência, creio que todos temos curiosidade em saber o que se passa noutras realidades.

publicado por serprofessor às 23:38
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Domingo, 30 de Outubro de 2005

Crónicas de uma Professora Desterrada

"É lixado. Isto de travar batalhas contra o destino dá-nos uma massa óssea capaz de abrir brechas no mais duro betão: dia 1 de Setembro, apresentação do corpo docente, final da reunião, após ouvirmos da gestão o moroso discurso da punição, (como se os horários de 35 horas fossem castigo ministerial pelas prevaricações de alguns...)
Vem até mim uma jovem chorosa, dizendo-se do meu grupo.
"Venho de Santarém. Imagina tu!"
"Pois. Eu venho de Sintra, bem mais distante..."
"Pois, mas eu tenho dois filhos pequenos!"
"Sim, eu sei, é duro. Eu tenho três e só posso trazer comigo dois..."
"Não encontro casa decente..."
"Eu ajudo-te a procurar."
"Mas eu não me conformo".
"Pois, minha querida, mas é melhor começares a aceitar as coisas. Ficas melhor contigo própria". Mas já não me ouviu.
Afastou-se pouco convencida, precisamente quando ia contar-lhe do monte que aluguei no ano passado, nos ratos e nas infiltrações de Novembro, na outra casa com resmas de baratas nocturnas, nos filhos a tiracolo para cada reunião da escola... e em como este ano tinha procurado melhor... Mas fiquei sozinha a sonhar já com os passeios na aldeia da serra a ver os bois ao fim do dia, a pensar na horta a plantar, nos tempos livres proporcionados às crianças até mais tarde, nas casinhas brancas sempre a subir a ver o céu... Ah, bela pasmaceira! Antes esta que a da cidade, essa sim, mais dolorosa, porque entre muita gente, não há ninguém. A cidade é sinónimo de isolamento. No campo estamos nós e mais nós e entre tanta solidão não vemos o estrago de alegria dos outros que a habitam e lá têm raízes.
Seja, Sra. Ministra da Educação. A minha vingança será resistir. Fins de semana a engorgitar a A23 e depois os Domingos a regressar para a rotina, para o silêncio após o trabalho, para as couves, para o horizonte repleto de árvores. Sempre me soube feliz onde as há... Oxigenam-me a mente e elevam à dimensão de orquídeas do paraíso as mais anódinas ervas daninhas.
Net? Se ainda não chegou à serra! E quem quer net no paraíso das cebolas?
Quando ia a sair da escola, vejo o Roque, o ruivo do 7º D.
"Ó Stora, espere aí. Queria dizer-lhe que estou muito contente que esteja cá. Fazemos outro teatro este ano, não é?"
"Claro que sim, Roque. E mais coisas. Claro!"
Só mais tarde soube que um político com o desmerecido nome de filósofo tinha anunciado que os profes passariam a permanecer quatro anos no quadro de uma mesma escola. Belo, pensei. É desta que compro uma quinta e me dedico à criação de gado, antes que venha a febre das aves impedir-nos de consumir a carne mais em conta do mercado. Talvez consiga enriquecer e publicar enfim as minhas memórias de Super Mulher em missão impossível no exílio.
Voltarei talvez a pôr aqui uns versos bucólicos, ou talvez vos passe a narrar as minhas aventuras, se conseguir lá na escola ter acesso a um dos raros e preciosos computadores com net. Até lá, façamos história pois eu ainda acredito que uma geração virá que se rirá ternamente dos meus "récits", como nós nos rimos agora dos professores que iam de Lisboa para aldeias onde se deslocavam montados em burritos. A diferença é que estamos agora no grande milénio e os burritos são os velhos carros riscados pelas anteriores missões na linha de Sintra ou pior".


Ana Isabel Falé (LibeLua)
Poemas de trazer por casa e outras estórias (II)

publicado por serprofessor às 17:33
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Sábado, 29 de Outubro de 2005

Começar

Este blogue foi criado para alojar textos de professores que nele queiram participar.
Muitos de nós temos blogues pessoais, onde assuntos relativos à nossa profissão se perdem um pouco. Por vezes queremos que as nossas opiniões cheguem aos nossos colegas e ao resto da comunidade, mas isso torna-se difícil.
Lembrei-me de criar um espaço onde seja possível aglomerar ideias, actividades, trocar experiências, desabafos, todos relacionados com o nosso dia-a-dia como educadores.
Espero que a ideia vos agrade e que tirem algum proveito dela.


Como participar:
É simples.
Enviem os vossos textos e imagens para ser.professor@gmail.com e serão colocados aqui.
Como é natural, suponho que muitos colegas prefiram manter o anonimato. Acho que seria interessante, no entanto, uma referência ao distrito de origem.


Bom trabalho!



publicado por serprofessor às 16:48
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